Olhando para 2024, fica claro que a resiliência tem sido a marca da economia dos EUA. Mesmo com desafios como inflação elevada e taxas de juros em alta, o país manteve um crescimento consistente. As taxas de crescimento do PIB deste ano ficaram em média em 2,5% e, para o quarto trimestre, a previsão do Fed GDP-Now aponta para um crescimento ainda maior, próximo de 3,3%.
Mas o que está sustentando essa força? Vamos destrinchar os três principais pilares:
1) Consumidor americano em boa forma
Nos EUA, o consumidor é o coração da economia, responsável por 70% do PIB. Apesar das pressões, os dados mostram que os gastos continuam saudáveis, principalmente em serviços como lazer, hospitalidade e alimentação.
Um ponto que merece atenção é a diferença entre os consumidores de baixa renda e aqueles de média/alta renda. Este último grupo tem se beneficiado de mercados acionários em alta e preços de imóveis estáveis, o que fortaleceu os gastos de uma fatia que representa cerca de 70% do consumo total.
Além disso, os ganhos reais das famílias têm mostrado tendência positiva. Desde 2023, os salários têm superado a inflação, e esse cenário de crescimento de renda deve se manter em 2025, com a inflação projetada para ficar na faixa de 2% a 3%.

2) Mercado de trabalho resiliente
O emprego nos EUA também tem sido uma força motriz. Quando as pessoas se sentem confiantes em seus empregos, elas gastam mais — e isso impulsiona a economia.
O relatório de empregos recente confirmou essa saúde no mercado de trabalho. Foram adicionados 227 mil empregos no mês passado, acima das expectativas de 220 mil, com recuperação em relação ao impacto de greves e desastres naturais do mês anterior.
A taxa de desemprego subiu levemente, de 4,1% para 4,2%, mas ainda está muito abaixo da média histórica de 5,7%. Apesar de esperarmos alguma moderação, a previsão é que a taxa de desemprego permaneça abaixo de 4,5%. Além disso, fatores como taxas de juros mais baixas e políticas pró-crescimento podem estimular novas contratações em 2025.

3) Setor de serviços continua em expansão; manufatura pode ser o próximo
Com cerca de 70% do PIB, o setor de serviços tem sido um pilar de força para a economia dos EUA. Áreas como transporte, lazer e serviços financeiros continuam resilientes, mesmo quando comparadas ao setor manufatureiro, que tem enfrentado contração nos últimos dois anos. No entanto, a leitura mais recente do Institute for Supply Management (ISM) trouxe boas notícias: os componentes de novos pedidos, que costumam antecipar a atividade econômica, apontaram para expansão tanto nos serviços quanto na manufatura. Isso sugere que o setor manufatureiro pode se estabilizar e melhorar em 2025, apoiando ainda mais o crescimento econômico geral.

Novos desafios à frente
Ao olhar para 2025, é natural que novos desafios surjam no horizonte. Entre os mais destacados estão as incertezas em torno da nova administração na Casa Branca. Políticas relacionadas a tarifas e imigração podem afetar a confiança do consumidor, a inflação e o crescimento.
Além disso, as políticas de corte de juros do Federal Reserve podem gerar dúvidas. Se o crescimento continuar forte e o risco de inflação reaparecer, o ciclo de cortes pode ser menos acentuado do que o mercado espera. No entanto, mesmo que os cortes sejam graduais, eles devem continuar beneficiando consumidores e empresas.
Como os investidores devem agir?
A volatilidade do mercado é algo esperado, mas não deve ser motivo para pânico. Com uma economia sólida e sem sinais de recessão no horizonte, o momento é de consistência e estratégia.
- Ações: O mercado deve manter um peso maior em ações americanas, equilibrando setores de crescimento e valor, com foco em empresas de grande e média capitalização.
- Renda fixa: Os investidores irão revisar posições em títulos de curto prazo para evitar excesso de caixa, que pode ser redirecionado para títulos de médio prazo, garantindo melhores rendimentos por mais tempo.
A mensagem aqui é clara: a consistência nos aportes, a diversificação e os ajustes estratégicos serão fundamentais para capturar as oportunidades de um cenário econômico que continua forte, mesmo em meio à incerteza.
Fabio Fares
Educador financeiro e especialista em investimentos internacionais